• Mariana Sierra

O melhor jeito de perguntar "e agora?"

Faz quase dois meses que estamos em isolamento social. Já passei por muitos estados de humor e imagino que você também. Começou com gratidão por poder estar em isolamento social sem me preocupar com muita coisa. Depois foi para o medo de não ter a mínima idéia do que aconteceria com o mundo. Voltou para uma alegria de tudo ser uma grande novidade. Passou pela dor de saber que o sofrimento de muitos foi multiplicado. Uma depressão de não conseguir me mexer o dia todo. Uma euforia de fazer tudo que precisa ser feito de uma vez. Uma esperança de que isso passe. O terror de não ver o fim.


Apesar de estar acompanhando diversos debates sobre o que estamos passando, possibilidades de futuro, impactos e mudanças, tudo parece muito incerto. Mesmo alguns países que já começaram a se abrir, estão somente experimentando o impacto que isso causa na saúde da população, ninguém tem certeza de nada. E se eles abrirem e tudo ficar bem, as fronteiras vão continuar fechadas até quando? E o que isso implica?


Muito se fala sobre o convite que esse vírus nos faz de olharmos para nossa casa, para nossa mente e, obviamente, impossibilitados de fazer qualquer outra coisa por muito tempo, só nos resta admirar nossos pesadelos passando frente a nós, sem nem nos esperar dormir.

A verdade parece apenas uma e é a única que permanece inalterada, enquanto nós não lidarmos com nossos problemas, será impossível lidar com a vastidão das consequências mundiais.


E então, como lidar com a paralisante falta de perspectiva desse momento?

Photo by Kristen Sturdivant on Unsplash


Estamos conscientes vivendo esse corpo e não podemos controlar muita coisa, mas existe algo em nós que podemos controlar. Pare um instante e apenas observe os pensamentos que estão flutuando em sua mente, não entre na história de nenhum deles, mantenha-se observador. Se algum sentimento acompanhar algum desses pensamentos, observe-o com mais atenção, veja de onde vem aquela emoção, qual é a raiz que gera a sensação do corpo. Tome alguns minutos nesse exercício diariamente, pratique-o quando se sentir fora de controle.


Faça isso logo de manhã ou logo depois do café, mexa um pouco o corpo, se puder caminhe por algum lugar sozinho ou sente-se em algum lugar calmo, tire o celular de perto, evite distrações.


A idéia é criar a confiança de conseguir apenas se manter observando, independente de que pensamento que surja na mente, isso faz com que a velocidade dos pensamentos diminua. Buscar a raiz das emoções que surgem, faz com que essas mesmas emoções se diluam em si mesmas. Nesses momentos, você tem o mais próximo de uma tela em branco que se pode chegar, você está super-alerta e então pode começar a criar.


Então, agora, se pergunte, o que precisa ser feito? E a resposta será bastante clara. Se com a resposta vier alguma emoção negativa, volte ao exercício, observe a emoção com bastante atenção e veja aonde está a raiz dela, essa observação deve fazer voltarmos à tela em branco para simplesmente agir.


Mesmo que algumas repostas pareçam muito simples, entenda, algumas coisas precisam ser feitas primeiro para dar lugar às demais, então comece por onde sua vida te indica para começar. Pode ser que, nesse momento, a única coisa que você precisa é comer alguma coisa ou tomar algo quente. Você precisa resolver as primeiras coisas, primeiro.


Mantenha-se super-alerta, vá fazendo o que precisa ser feito, ação após ação, você saberá qual. Se alguma emoção aparecer e te deixar confuso, distraído ou paralisado, volte ao exercício para ter a tela em branco. Respire fundo, pare e observe o que passa dentro da sua mente, retome o controle.


Às vezes a única coisa que queremos é uma distração, sair desse mundo e viver uma outra história com um livro, um filme, uma música, mas se a distração estiver te paralisando e te fazendo adiar o que precisa ser feito (e você sabe se é assim), você precisa retomar o controle, volte ao exercício. Respire fundo, pare e observe o que passa dentro da sua mente, retome o controle.


O objetivo do exercício é claro, retomar a sua presença e fazer perceber que você tem o poder de ação que é preciso para modificar sua realidade, nada é impossível, se você estiver alerta vai saber a melhor forma de realizar algo. Se você estiver alerta, vai saber que talvez o que você achava que precisava fazer, nem é o mais importante agora.


O mais impressionante é que se você está totalmente presente, você automaticamente considera tudo que está em seu entorno, você avalia os riscos de suas atitudes com clareza, você pensa alternativas que nunca havia pensado. Você está vivo.


Alguns chamam isso de mindfulness, o uso total de mente, a atenção completa no momento presente, totalmente aberto ao que há e sem ser reativo.


Nesse estado, não existe falta de perspectiva por que não existe futuro propriamente, apenas agora. Nesse estado, você não está impotente, por que tem tudo que precisa para agir. Pare um instante e repare agora, você tem tudo que precisa para agir.


Não importa quantas vezes precisemos parar e fazer esse exercício, nem se ele é feito durante o isolamento ou depois que ele acabar, mas sugiro fortemente que você experimente sempre que estiver se sentindo fora de controle.


Existem muitas coisas que nós não podemos controlar, mas existe uma que nós podemos, nós mesmos, e esse é todo o controle que precisamos para estarmos bem.


Use sua tela em branco e invente a realidade agora!


Deixo como indicação o Wim Hof que descobriu como fazer exercícios de respiração e água gelada para retomar o controle da mente e do corpo. Muito interessante.



2 visualizações
Receba a Newsletter!

© 2010 - 2020 | Gataria Filmes Ltda.