• Mariana Sierra

Retomada do Audiovisual - com o que se preocupar?

Estou a meses dentro de casa refletindo sobre as novas opções de produção audiovisual no contexto da pandemia e da ausência, por hora, de uma vacina que torne o contato entre pessoas mais seguro.


Cheguei a escrever um texto no final de Abril, sobre como estava vendo a continuidade dos trabalhos e os riscos. Se quiser ler, esse texto foi repostado no blog do site, uma vez que a publicação original aconteceu na plataforma Medium.


Uma semana depois, o governo do estado de São Paulo, anunciou que ia começar o processo de flexibilização do isolamento social e compartillhou um manual geral de processos que deviam ser seguidos para a retomada dos trabalhos. Além dessas recomendações, a autorização para retomada dos diversos setores, só ia ser oficializada através da avaliação de protocolos elaborados pela entidades de classe representantes de cada setor sobre como fariam para garantir a segurança a controle máximo de riscos de contágio dos trabalhadores.


Dados sobre orientações, notícias e atualizações sobre a retomada no estado aparecem sempre no site do Plano São Paulo, se quiser consultar.


As entidades representativas de técnicos, artistas, produtoras, locadoras, entre outros, logo se uniram para começar a desenhar o Protocolo de Retomada do Audiovisual (compartilhado abaixo), que foi apresentado à prefeitura em meados de Junho e aprovado para retomada do setor no começo desse mês.


Protocolo Retomada Audiovisual SP
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Li esses (e outros) documentos e noto que o foco de preocupação desses protocolos é sempre a saúde dos trabalhadores e de qualquer pessoa que possa ter sua saúde colocada em risco por causa da atividade profissional que exercerá.


Além disso, todos os dias entidades e trabalhadores organizam lives para debater o protocolo, suas aplicações, seus desafios e consequências, o que considero ser essencial para a troca de idéias práticas, análise da sustentabilidade dos processos e disseminação de informações úteis.


Dentre todas as lives que tive contato, destaco o webinar “Retomada de Filmagens em São Paulo: Equipamentos e Processos”, organizado pela SpCine, o único que vi de fato trazer uma troca de informações práticas e reflexões importantes para além do impacto no lucro das produções.


Exatamente isso que anda me frustrando em muitos desses debates. Apesar de ter entendido na primeira live que uma discussão sobre os impactos financeiros do Protocolo era essencial para o entendimento da aplicação do mesmo, a quantidade desses eventos que insiste em trazer empresas de seguros e advogados, me faz ter dúvidas de que tipo de preocupação as produtoras realmente tem em relação ao protocolo.


Ao meu ver, excede-se a preocupação em como a empresa de isenta de responsabilidade pelo contágio de algum profissional e preocupa-se de menos em como minimizar as chances de contágio, o descarte adequado do volume de lixo gerado, as dificuldades peculiares de cada área de atuação do audiovisual na aplicação prática das recomendações e assim por diante.


Essa repetição de como uma empresa se protege no contexto da pandemia, ao invés de como uma pessoa se protege, fala muito sobre como manejamos e somos manejados no sistema capitalista. Ressalto que não sou contra o capitalismo, na verdade, realmente considero como o melhor sistema que conseguimos formatar por enquanto, mas não nos esqueçamos de quem faz tudo acontecer, as pessoas.


Além disso, o Protocolo fala claramente em aplicação de testes de detecção da doença antes de entrar em set, questionário de triagem de saúde para equipe contratada e até assinatura de um termo de responsabilidade assumindo conhecimento sobre os riscos que estamos nos colocando ao aumentar o contato com pessoas e voltarmos ao trabalho. Cita também o óbvio, uso de EPIs, frequência de higienização das mãos, objetos e ambientes, número reduzido de pessoas e distância segura a todo o tempo,


Entendo a preocupação financeira dos empresários do audiovisual e compartilho dela, afinal estamos parados desde Março e precisamos voltar a trabalhar para que a economia das instituições e das pessoas possa se recuperar o quanto antes, mas queria ouvir falar mais sobre de que forma as pessoas estão tendo sucessos e criando mecanismos para reunir essas pessoas sem de fato criar um foco de transmissão do vírus ou outro impacto de saúde e ambiente, apesar da necessidade econômica que é óbvia.


Volto a citar a live da SpCine onde ouvi boas reflexões práticas sobre esses assuntos, além de ter tido contato com o diretor de produção freelancer Ian Haudenschild , que amavelmente compartilhou comigo sua pasta de protocolos de retomada do audiovisual em outros estados e países e os de setores específicos já disponíveis, como figurino, maquiagem e locação de equipamento. Juntei a pasta dele com a minha e caso também queiram consultar, deixo disponível.


Por fim, espero que, além de ser uma fonte para as informações que tive sobre a retomada do audiovisual, também possa receber de vocês qualquer informação que não tenha contemplado até aqui para que possa posteriormente incluí'-las e deixar disponível para que nossos colegas que começam a filmar também saibam com o que se preocupar.


Mais que sucesso, desejo saúde a todos, por que com certeza, esse seria uma boa medida de sucesso nesse início de retomada. Pensem nisso.


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